Olá!
A poesia não larga o poeta. O poeta não larga a poesia. Será que o poeta que não larga a poesia porque dela necessita para ser poeta ou a poesia só é poesia se surgir dos traços de um poeta? Seria cretino responder essa questão racionalmente. Já está provado!
Todos são loucos! Uns mais, outros menos. Todos somos loucos! Os brasileiros somos loucos! OS chineses são loucos! Dos estadunidenses nem se fala! A loucura não é doença, não é defeito, não é motivo para chorar. É motivo de felicidade. A poesia é fruto dessa loucura.
Quero o louco que enxerga, não o racional que vê. Quero o louco que diz, não o racional que fala. Quero o desequilibrado que sente, não o senhor da razão que pensa.
Querer somente pensar é fugir daquilo de que se pertence. É negar pai, é negar mãe. É negar a si. O ser humano gosta de se negar...
Dois poemas, abaixo, falam do amor. Cada poeta do seu jeito, à sua maneira. Não sei se são poetas malditos. É bom ser maldito. É bom ser posto a prova. Quando se é louco, quando se enxerga, quando se sente e quando se diz. De outra forma não.
Voltemo-nos ao sentimento sentido que comanda. Amor não é tesão. Ser tarado também é imanente. mas o amor é outra coisa.
Um conselho: Sê Tarado! Sê Amante! Sê os dois.
As sem-razões do amor
(CARLOS DRUMMOND DE ANDRADE)
Eu te amo porque te amo,
Não precisas ser amante,
e nem sempre sabes sê-lo.
Eu te amo porque te amo.
Amor é estado de graça
e com amor não se paga.
Amor é dado de graça,
é semeado no vento,
na cachoeira, no eclipse.
Amor foge a dicionários
e a regulamentos vários.
Eu te amo porque não amo
bastante ou demais a mim.
Porque amor não se troca,
não se conjuga nem se ama.
Porque amor é amor a nada,
feliz e forte em si mesmo.
Amor é primo da morte,
e da morte vencedor,
por mais que o matem (e matam)
a cada instante de amor.
Soneto de Maior Amor
(Vinícius de Morais)
Maior amor nem mais estranho existe
Que o meu, que não sossega a coisa amada
E quando a sente alegre, fica triste
E se a vê descontente, dá risada.
E que só fica em paz se lhe resiste
O amado coração, e que se agrada
Mais da eterna aventura em que persiste
Que de uma vida mal aventurada.
Louco amor meu, que quando toca, fere
E quando fere vibra, mas prefere
Ferir a fenecer - e vive a esmo
Fiel à sua lei de cada instante
Desassombrado, doido, delirante
Numa paixão de tudo e de si mesmo.
Obrigado pela visita e pelos comentários.
"JOÃO ESTEVE NO CÉU. ACORDOU NA TERRA E MORREU NO INFERNO. SÓ UM SER MUITO RACIONAL PARA CRER EM RACIONALIDADES MÍSTICAS. UM LOUCO APENAS DIRIA: UM LUGAR PARA CADA MOMENTO DO ESPÍRITO."
Olá!
Hoje, deixo um poema do mestre Pessoa por ele mesmo.
Texto para se pensar a vida na sociedade moderna.
Chuva Oblíqua (Fernando Pessoa)
II
Ilumina-se a igreja por dentro da chuva deste dia,
E cada vela que se acende é mais chuva a bater na vidraça...
Alegra-me ouvir a chuva porque ela é o templo estar aceso,
E as vidraças da igreja vistas de fora são o som da chuva ouvido por dentro...
O esplendor do altar-mor é o eu não poder quase ver os montes
Através da chuva que é ouro tão solene na toalha do altar...
Soa o canto do coro, latino e vento a sacudir-me a vidraça
E sente-se chiar a água no fato de haver coro...
A missa é um automóvel que passa
Através dos fiéis que se ajoelham em hoje ser um dia triste...
Súbito vento sacode em esplendor maior
A festa da catedral e o ruído da chuva absorve tudo
Até só se ouvir a voz do padre água perder-se ao longe
Com o som de rodas de automóvel...
E apagam-se as luzes da igreja
Na chuva que cessa...
Lemos o poema de Fernando Pessoa e podemos perceber as várias metáforas em seus versos. Podemos começar pelo título: Chuva Oblíqua.
Não é qualquer chuva, e sim, uma chuva oblíqua, chuva que não cai reto, não cai simplesmente. É uma chuva que causa efeito. O título já aparece como grande metáfora. Já que Oblíqua possui um leque de sentidos, não somente o literal de torcido, diagonal.
“Ilumina-se a igreja por dentro da chuva deste dia”
– A igreja, no verso, está dentro da chuva. Como é possível? Na linguagem metafórica é o que está dito. São dois elementos inseparáveis, um contendo o outro. Para entender essa proposição e outras que aparecem durante todo o poema, vamos partir do macro para o micro. Vamos tentar desvendar a grande metáfora do texto e depois, como cada metáfora menor a constroem.
Durante todo o poema temos a chuva, a rua, o barulho fora da igreja “junto” com as cenas internas da igreja. Os versos são construídos não por oposição, mas por complementação. Um é parte do outro. Um elemento é o outro. “A missa é um automóvel que passa”.
Como grande metáfora, podemos dizer que tudo acontece ao mesmo tempo e não há possibilidade de termos uma experiência de cada vez. Sentimos, ouvimos e vemos tudo ao mesmo tempo. Estamos no mundo e dele participamos. O poeta quer fazer com que sintamos todas essas sensações conscientemente.
A missa é a missa, os carros fora da igreja são os carros e a chuva é a chuva. Mas tudo acontece ao mesmo tempo, as paredes da igreja não evita que sintamos a chuva, pois se a ouvimos, ela está presente. O poeta quebra as barreiras pela metáfora. Vamos agora às pequenas metáforas.
“Ilumina-se a igreja por dentro da chuva deste dia”
– Quando as luzes da igreja se acendem, há chuva. Chove enquanto os fiéis se preparam para rezar. A chuva está dentro da igreja, pois é ouvida. Portanto, a igreja está dentro da chuva.
“E cada vela que se acende é mais chuva a bater na vidraça”
– mais velas acesas, mais chuva.
“Alegra-me ouvir a chuva porque ela é o templo estar aceso”
– Agora aparece um verbo de ligação, típico da metáfora. Dizer que a chuva é o templo estar aceso é uma metáfora explícita. Enquanto chove eles estão dentro da igreja e por isso está acesa.
“E as vidraças da igreja vistas de fora são o som da chuva ouvido por dentro”
– Aqui, as barreiras são quebradas. A chuva penetra na igreja e por fora vê-se a igreja. Quem está dentro sente a chuva pelo som. Não há isolamento. O poeta argumenta com força ao propor que não existem barreiras. De novo a metáfora explícita.
“O esplendor do altar-mor é o eu não poder quase ver os montes
Através da chuva que é ouro tão solene na toalha do altar...
Soa o canto do coro, latino e vento a sacudir-me a vidraça
E sente-se chiar a água no fato de haver coro...”
- Mais sensações são misturadas nesses versos. Misturam-se imagens, sensações e sons. Os elementos não são puros. Estão misturados. Ouve-se a missa e o vento que sacode a vidraça. Ouve-se o chiar da água e o coro. Vê-se a chuva e o altar.
“A missa é um automóvel que passa
Através dos fiéis que se ajoelham em hoje ser um dia triste..”
- O automóvel, por seu barulho, penetra na igreja e atravessa os fiéis que se confessam. O
automóvel está fora e dentro da igreja.
“Súbito vento sacode em esplendor maior
A festa da catedral e o ruído da chuva absorve tudo
Até só se ouvir a voz do padre água perder-se ao longe
Com o som de rodas de automóvel...”
- A voz do padre, o som do automóvel e o barulho da água se confundem. Estão todos juntos.
“E apagam-se as luzes da igreja
Na chuva que cessa...”
- A chuva cessa e as luzes se apagam. Um não depende do outro. Os dois acontecem simultaneamente.
Não há barreiras entre o interno e externo. As sensações são múltiplas e permitem uma leitura da sociedade contemporânea com tudo misturado. O progresso tecnológico cuja violência invade nossa vida, nossa privacidade e nossa paz transforma-nos em seres que ao sentirem tantas emoções simultaneamente não "sentem nada" ou não sabem o que sentem.
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"ENXERGAR O COMUM É MUITO INCOMUM PARA OS SERES COMUNS."
Olá!
O que dizer dos bêbados de criticidade e de seus vômitos de inconformidades?
O que falar sobre o viciado em críticas sociais e suas overdoses de ações perlocucionárias?
O que acrescentar aos loucos por conhecimento e delírios de amarga lucidez?
Em que elogiar os professores de lutas ideológicas e trabalhos forçados na democracia ilusória?
Por que julgar aqueles que são ditos marginais se questionam o sistema feudal que vivemos?
A certeza e o correto já não existem entre as sinapses e choques elétricos internos.
Quero minha ilusão a tua ilusão de ver. Quero uma ilusão que não exista lágrimas nem solidão. Quero uma ilusão de poder ser o que queremos ser. Quero uma ilusão, porque a realidade está muito aquém.
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"DROGUE-SE COM LIVROS, CHEIRE INTERNET E INJETE TELEVISÃO. O CINEMA PODE SER ASPIRADO ENQUANTO A MÚSICA BEBIDA. VOMITE POESIA PARA ACALMAR ESTE MUNDO INSANO"
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Olá! 
Será que a inspiração se vai? A dificuldade para postar algo novo sempre me incomoda. Tive muitas idéias boas, outras nem tanto, mas sempre viravam texto. A literatura me mostrou que pertenço a um grupo Restrito e que escrevo para esse mesmo grupo restrito. ![]()
Não sei se é falácia isso, se é inerente ao ambiente cultural frequentado, se engendra discussões acerca disso ou se a tão querida "famigerar-me" continua como sonho. ![]()
Não quero mostrar a bunda! Não quero falar palavrões nem fazer caretas sem sentido. Humilhar-me no palco do Faustão e ser aplaudido, muitas vezes, por quem... deixa para lá. Não quero demonstrar arrogância, mas certos tipos de programas e livros (recuso-me a utilizar o termo literatura) não fariam a menor falta se não existissem.
POr isso, quando sento para escrever, penso sobre o que quero falar, sobre o que quero discutir. Não quero que seja qualquer coisa para qualquer um. Respeito meu leitor e por isso, busco oferecer-lhe material confiável e de qualidade.
Já postei poemas, trechos de livros, resenhas de reportagens e artigos de opinião. Quero que meu leitor saiba que eu escrevo para ele pensando. Mesmo sendo poeta, penso. Pensar para existir. pensar para ser alguém neste lugar esquecido chamado Brasil. Aqui, as bundas têm audiência, mais do que os cérebros. Já dizia em um romance que escrevi "Onde sobra estupidez, falta sensatez".
Meu leitor é sensato, meu leitor busca informação. Preocupo-me com meu leitor e por isso, publico o que acredito que seja de seu interesse.
Que eu tenha poucos leitores. Que eu tenha leitores fiéis. Que eu seja pouco citado. Mas que seja, bem citado, bem lido e com fidelidade. ![]()
Obrigado pela visita e pelos comentários.
"TALVEZ, APREDEREMOS A DISCERNIR O QUE REALMENTE NOS FAZ BEM E O QUE NOS ENGANA MOMENTANEAMENTE. O QUE ENGANA SE ESVAI E NADA FICA. O QUE FAZ BEM É ETERNO. UM LOUCO JAMAIS DEIXA DE SER LOUCO, MESMO QUE QUEIRA."
Olá! ![]()
Felizmente podemos escolher os amigos, mas não as pessoas que amamos. O que se pode dizer acerca de tal afirmação? Escolhemos os amigos ou não? Não se pode afirmar que só se há amor nas relações entre cônjuges. O amor é o motor afetivo nas relações sociais. O amor que une pai e filho, irmão e irmã, tia e sobrinho e avô e neto; qualquer amor que una familiares. Esse amor, que une familiares, é o mesmo do que os sorrisos dos irmãos que escolhemos. ![]()
A escolha é feita pelo coração. Somos amigos daquelas pessoas que admiramos, com as quais nos sentimos bem em suas companhias, das quais desejamos ouvir as vozes e ver os sorrisos. A amizade é sinônimo de amor.
Nossa família recebe membros que não são de sangue, criando e estreitando laços eternos.
A amizade verdadeira não se instaura no custo benefício, relações de troca ou de lucro. A amizade verdadeira quer sorrisos sinceros, quer momentos de alegria e de ternura; quer o bem do outro.
Os verdadeiros amigos deixam saudade quando partem, mágoa quando nos machucam, levam felicidae quando próximos, segurança quando nos protegem; enfim, completam nossas forças e diminuem nossa fraqueza.
Após todos esses argumentos, não se pode dizer que escolhemos racionalmente aquela alma especial com a qual dividimos nossos melhores e piores momentos, nossos mais íntimos segredos e sonhos verdes de esperança.
Obrigado pela visita e pelos comentários. ![]()
"UM LOUCO ESTAVA SENTADO SOZINHO AO LADO DA CAMA. JÁ ERA NOITE. DEPOIS FUI ENTENDER QUE DEIXOU AO SEU MELHOR AMIGO O QUE TINHA DE MELHOR. DORMIU NO CHÃO.
Olá!
Segue o lindo soneto de Vinicius de Moraes traduzido para o francês.
Soneto de Fidelidade
(sonnet de loyauté)
De tudo ao meu amor serei atento
(A tout mon amour, je serai attentif)
Antes, e com tal zelo, e sempre, e tanto
(Avant et avec un tel zèle, et toujours, et tellement)
Que mesmo em face do maior encanto
(Que même en face du plus grand enchantement)
Dele se encante mais meu pensamento.
(de mon amour s'enchanteront davantage mes pensées)
Quero vivê-lo em cada vão momento
(Je veux le vivre en chaque vain moment)
E em seu louvor hei de espalhar meu canto
(Et dans son éloge, je veux diffuser ma chanson)
E rir meu riso e derramar meu pranto
(Et rire de mon rire et déverser mes larmes)
Ao seu pesar ou seu contentamento
(Dans son chagrin et dans sa joie)
E assim, quando mais tarde me procure
(Et ainsi, quand plus tard je regarderai)
Quem sabe a morte, angústia de quem vive
(Qui connait la mort, l'angoisse de ceux qui vivent)
Quem sabe a solidão, fim de quem ama
(Qui connait la solitude, la fin de qui aime)
Eu possa me dizer do amor (que tive):
(Je pourrai me dire de l'amour (que j'ai eu))
Que não seja imortal, posto que é chama
(Qu'il ne fût pas immortel, puisqu'il fût une flamme)
Mas que seja infinito enquanto dure.
(Mais qu'il fût infini tant qu'il dura.)
Vinicus de Moraes.
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"AINDA QUE EU FALASSE A LÍNGUA DOS HOMENS E DOS ANJOS; SEM A LOUCURA, EU NADA SERIA."